sexta-feira, fevereiro 24

Quando éramos putos...

Sou fanzaça do Nuno Markl e suas bocas. Esta é absolutamente deliciosa, e lembra-me o tempo em que subia às àrvores e andava em competições de carrinhos de rolamentos com os putos do bairro.

"A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida. E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta. O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer. "Quem? ", perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer! Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo? A própria música: "Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além..." era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora. O D'Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et leSoleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com oseu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos;A Super-Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas, lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual... E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração: O Verão Azul. Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos: Ele nunca subiu a uma árvore! E pior, nunca caiu de uma. É um mole. Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema. Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos. Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos. Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra. Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção. Confesso, senti-me velho...Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador. Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe,eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft. Óbvio,nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros. Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e a fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casaa fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído.Doenças com nomes tipo "Moleculum infanticus", que não existiam antigamente.No meu tempo, se um gajo dava um malho muitas vezes chamado de "terno"nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse. Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas,porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos. Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo. Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia. E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade? E ainda nos chamavam geração "rasca"...Nós éramos mais a geração "à rasca", isso sim. Sempre à rasca de dinheiro, sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos. Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de presente de anos e Natal, tudo junto. Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo. Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta.Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje,só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos. Antes, só havia um cromo por turma. Era o totó de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas.É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada. Hoje, se um puto é normal, ou seja, não tem óculos, nem aparelho nos dentes, as miúdas andam atrás dele, anda de bicicleta e fica na rua até às dez da noite, os outros são proibidos de se dar com ele... "

Eeheheheh, e para as pré, actuais e pós-trintonas, uma lembrancinha dos nossos bonecos favoritos: Vikie, o Viking, Heidi, Calimero, Abelha Maia, Marco, Candy Candy, Jacky, o urso de Tallac (e o indiozinho), Bana e Flapi, Ana dos Cabelos Ruivos... esses todos.

quinta-feira, fevereiro 23

Olhá chaputa Fresquiiiiinha!!!!


Eheheheheh....
Brutal, este cartoon da Visão desta semana.
Os saldos da roupa já estão mortos (chatice!...), mas olha lá o início da época de saldos das nossas grandes empresas públicas....
'Atão na' leva nada, ó freguesa??????????? Olhe que 'tá bom!!!!!!!!

A profissão mais antiga...

Ao ler a Visão dasemana passada (nº 676, de 16 a 22 de Fevereiro), deparei-me com um artigo sobre um tema muito em voga aqui há uns tempos. Ana Lopes, uma antropóloga portuguesa a viver no Reino de Sua Majestade, resolveu dar origem a um movimento sindical de defesa dos direitos dos profissionais do sexo, lá, e prepara uma Plataforma reivindicativa cá em Portugal.
“Pois”, dirão os mais conservadores e moralistas, “deve ser do Bloco de Esquerda.”.
Isso não sei. Mas de facto, o que ela está a fazer na Inglaterra há muito que devia ser feito cá. Até porque são muitos desses conservadores e moralistas de “araque” que recorrem aos serviços destes profissionais. Escondem e depois condenam, com a saloíce tacanha do “olhai para o que eu digo... não olheis para o que eu faço” .

Se é a profissão mais antiga não sei, mas acredito que o corpo tenha sido das primeiras mercadorias transaccionadas.....
Nas palavras da Ana Lopes, “vender o corpo” não é expressão correcta. E de facto não é. Juridicamente, vender uma coisa, e ficar com ela, é burla, ou incumprimento do contrato, no mínimo. Estes profissionais prestam, transaccionam serviços.

Um advogado, um médico, um contabilista, prestam serviços ao cliente – tempo, conhecimento técnico, criatividade, influência (ou não...), paciencia..- tudo com o objectivo de resolver um problema ao cliente, uma necessidade.

E então? Que faz uma prostituta?
O mesmo, mas numa área de actividade diferente, e dita moralmente duvidosa.
È engraçado, se hoje as Prostitutas são discriminadas, alturas houve na história, em que tinham mais direitos que a maioria das mulheres: liberdade, na sua essência. Hoje não. Elas têm que esconder da sociedade o modo como ganham a vida.

Confesso que me preocupo mais com as mulheres que trabalham na rua. Não deve ser fácil aguentar as noites frias, os locais de rasca qualidade, a insegurança e a brutalidade do desconhecido que lhes possui o corpo, a sombra da doença ao virar da esquina, a violência e a exploração daquele que muitas vezes amam, os filhos que não podem criar... nem pelo menos ter....
Essas, se querem saber, respeito-as. Ninguém como elas sabe o que a vida custa. E de dia, na sua vida normal, escondem com garra de ferro a fonte dos seus parcos rendimentos, as nódoas negras causadas pelo cliente e pelo chulo, a dor da dilaceração do corpo e da alma, o sonho desfeito de ter uma vida diferente.

Prostituição de luxo? Mesmo com os riscos inerentes à profissão, não me causa tanta preocupação. Não me suscita grande respeito quem presta esse tipo de serviços, para comprar mais uma mala Prada, mais uns stillettos Manolo Blanhik, mais um vestidinho Cavalli.
O El Corte Inglés está cheio delas. Não só mas também.

Pior: a prostituição pelo poder, pelo status. Não se chama prostituição, claro... chama-se ambição...
No fundo, no fundo, o que é? É prestar serviços idênticos aos da prostituição, para obter um cargo, uma posição social, uma promoção profissional, uma aumento de ordenado, um carro, um casaco de peles, uma jóia Cartier, uma viagem às Caraíbas ou a Paris, de preferência com bagagem Louis Vouitton... Tanta coisa, que se pode obter assim, e é tão fácil: é só passar uns momentos (mais entediantes ou não) com quem pode providenciar essas coisas. Aí, ao invés de pagar em notas amarrotadas e sujas... o cliente passa um cheque em branco, ou até mesmo se dispõe a ir às compras com a prestadora dos serviços...
Amigas, amantes, “tias”, subalternas, queridas, todas ambiciosas... nunca prostitutas. Umas mais, outras menos inteligentes, disfarçam muitas vezes a falta de competência profissional/técnica com competência noutras áreas mais.... como dizê-lo... físicas. E fazem-no com tal destreza e perfeição, que temos todos que aplaudir a sua ascensão social e profissional, com se se tratasse de um verdadeiro merecimento. Enfim.
E o pior é que esse é um expediente que tem vindo a obter um índice de resultados fabuloso.

A prostituição é das profissões mais honestas que conheço. Quem recorre aos serviços de uma prostituta, sabe exactamente ao que vai. Ela não se disfarça de “menina de bem”, ela não tem que fingir que gosta do cliente, ela não tem que fingir orgasmos. Bem, se o fizer, é puro profissionalismo. Apenas tem que responder às solicitações de quem lhe paga, sem dramas, sem “não sei, estou confusa.... não sei se é altura”. Sem rodeios.
Pelo menos, as de rua: fingir o quê? É uma realidade que não se maquilha, não se disfarça. Estão ali, despojadas de tudo, de segurança, de perspectivas de vida, de sonhos. Não sabem o que é qualidade de vida, não desfrutam dos próprios rendimentos. Drogam-se, muitas delas, para que não seja tão mau. Tem que ver em cada cliente uma progressão, mais um punhado de euros. Mas não deve ser fácil.

Proxenetas. “Chulos”, em bom rigor não-jurídico. Tipos que vandalizam as próprias mulheres, namoradas, filhas, amigas, conhecidas, o que vem à rede é “peixe”. O que interessa é facturar. Oferecem os corpos delas, como quem oferece aquilo de que já se está farto. Exploram corpos como quem explora mercearias. Subjugam, escravizam, humilham, usam e abusam. E são eles, muitas vezes, a única protecção que elas têm... de outros como eles. São muitas vezes os homens que amavam, e com quem quiseram partilhar a sua vida. São muitas vezes os seu próprios pais (e/ou mães...), a quem impenderia o dever de cuidar da protecção delas.

Não são só mulheres. São homens também, e cada vez mais. E estes, muito mais polivalentes que elas, porque se começaram a servir a facção da clientela feminina, actualmente o grande cluster é o mercado homossexual. E tanto quanto sei, este é um mundo que pode ainda ser mais cruel, mais sórdido e mais injusto.

Há quem o faça por gosto. Não contesto. Mas há quem o faça para poder sobreviver, há sim senhor. E temos um sistema que só mexe se houver ilegalidade na permanência no nosso país, ou atentado ao pudor... pouco mais. Criminalizar não resulta, mas legalizar também não. Confesso que já defendi a legalização de casas próprias para o efeito – Bordéis – com inspecções de saúde, sujeitos à lei tributária. Mas pelo que tenho lido, de países que já o fizeram... não é a melhor solução, pelo menos não deve ser a única, isso é como que cartelizar a prostituição. Daqui a nada, teríamos a concorrência dos nossos principais grupos capitalistas a bater-se pela posição de topo no ranking nas redes de bordéis..... ou coisa que o valha.

Segurança, Saúde, Educação... alguns direitos constitucionais que estão vedados aos trabalhadores do sexo. E ninguém sabe muito bem porquê.

Resta falar. Resta reivindicar. Resta mostrar. (v. o artigo do Portugal Diário sobre medidas tomadas contra a prostituição de rua na Catalunha - encontrei hoje).
Parabéns, Ana Lopes. Keep on the good work.

Hot Fudge???

Iapp.
Depois de algumas tentativas de criar um Blog só para mim (se toda agente tem... porque não haveria eu de ter também?), resolvi que havia de ser desta e cá está: da vontade e do engenho (não o meu, claro, mas o de quem inventou e deu ao mundo a plataforma - mas a vontade, sim senhor, essa é toda minha!), nasce a obra.
Liberdade de expressão, esse direito constitucionalmente protegido, permite que se crie um espaço para deliberadamente fazer discorrer texto sobre quase tudo o que mexe (ou não).
Hot Fudge porque gosto de molho de Chocolate quente. AAAAAdoro. Especialmente em cima de gelado de manga. E porque ao escrever se deve por sempre uns cc. de molho, para ser mais interessante. Mesmo que não tenha interesse nenhum.
Boas navegações, e, olhem, desculpem lá qualquer coisinha.