Maravilhas da ciência. Segundo o público, uma mulher britânica de 63 anos de idade deu à luz , há uns dias atrás, um rapaz, (notícia da BBC). "Patrícia Rashbrook, psiquiatra infantil de Lewes (a sul de Londres), disse que o bebé, com três quilos, é lindo, relatou a estação." Esta senhora tinha já dois filhos de um casamento anterior, mas voltou a casar e decidiu submeter-se a um tratamento de fertilidade. Louvo-lhe a força de vontade, porque tratamentos de fertilidade em situações extremas não são fáceis, do pouco que conheço.
É uma discussão que surge às vezes: no caso de mulheres que não possam, ou já não possam (em razão da idade), engravidar (acontece cada vez mais), e cuja esperança reside apenas em tratamentos complexíssimos, com medicamentação em barda, e o risco de desenvolver 4, 5 ou mais embriões (outra vexata quaestio), se o sonho de gerar um filho se deve sobrepôr a tudo.
Sempre achei que cada um deve proceder como lhe der na bolha. Acho lindo que se tenha esse sonho e se faça tudo por isso. Tenho uma afilhada para nascer dentro de pouco tempo, e do meu humilde posto de observação, estou a adorar a experiência.
Tenho uma especial admiração por todos aqueles que superam todos os obstáculos postos pela natureza, especialmente, para gerar um ser. Essa admiração estende-se àqueles que já fizeram de tudo, não conseguiram, mas recusam-se a desistir.
Mas, no entanto, quanto a mim e à minha humilde opinião (e quem sou eu, que não percebo nada destas coisas...), não o faria. Tratamentos de choque, não obrigada (tenho pavor de hospitais e detesto médicos), bancos de esperma e barrigas de aluguer, poupem-me. Em relação a este assunto, a minha grande pena é que os processos de adopção, neste país, sejam a vergonha que são. Choca-me um bocadinho ver pessoas a gastar milhares de euros em tratamentos de fertilidade rebuscadíssimos, complicadíssimos, fortíssimos, no estrangeiro e em clínicas XPTO, a alugar clanestinamente mulheres para lhes gerarem os filhos, etc, etc, etc, dinheiro esse que asseguraria o futuro de uma ou mais crianças que já existem neste mundo, e que precisam de quem lhes estenda a mão que já lhes foi retirada, ou que nem lhes foi sequer dada. São crianças, e valem tanto, como pessoas, como os filhos consaguíneos. E estão ali, à espera de uma oportunidade.
Por muito que possam dizer que pessoas como a Angelina Jolie (que está para adoptar o 3º filho, logo após de ter dado à luz o seu 1º rebento) e a Mia Farrow (14 filhos, 10 adoptados), utilizam as adopções para vender revistas, o facto é que, quanto a mim, o espírito é esse - elas têm condições para fazer muito mais do que dar à luz.
E maternidade na 3ª idade... não. Acho até um bocadinho egoísta. O sonho é ter O SEU bébé nos braços, mas essa criança vai crescer e muito jovem vai ver os pais (a mãe, neste caso da notícia) percorrer o resto da velhice, e isso muitas vezes é doloroso. Ver as pessoas de quem gostamos perderem capacidades, sofrer, e depois, morrer. É assim a vida.
Mas isto sou eu a falar. Não percebo nada de instintos maternais, e da demanda para lhes dar efectividade...
Mas, se a ideia é contrariar a limitada natureza humana em busca de um sonho - aí, quem pode censurar? Haja engenho e arte para tal.