E nós que brinquemos ao "quarto escuro", enquanto esperamos....
Considerações sobre assuntos de suma relevância, de relativa importância, de duvidosa congruência, e até mesmo sem qualquer tipo de interesse. Mas com muito Hot Fudge.
terça-feira, setembro 26
quarta-feira, setembro 13
Deixem-nos trabalhar
"As taxas de emprego sobem à medida que as populações têm níveis de formação mais altos. Esta afirmação reflecte-se no caso português: entre a população dos 25 aos 64 anos que tem o ensino básico, 72 por cento estão a trabalhar; mas entre os que têm o ensino secundário são 80 por cento os que têm emprego e quanto aos licenciados, nove em cada dez estão inseridos no mercado de trabalho. Valores que andam acima dos da média da OCDE: 84 por cento dos que fizeram uma formação superior estão empregados; em contraste, só 56 por cento dos que têm menos do que o secundário é que estão a trabalhar". (Público)
Claro. Neste país só os analfabetos é que sofrem de desemprego. Mentira.
Nove em cada dez licenciados estão inseridos no mercado de trabalho???? Essa é a anedota do ano. Inseridos? Bem, se considerarmos efectivamente inseridos os que trabalham de graça, os que trabalham muito abaixo das qualificações e ganhar menos ou pouco mais do que o salário mínimo nacional, e os que conseguiram aproveitar as operações de maquilhagem em termos de política de emprego que são os estágios profissionais, então, sim, temos toda a gente a trabalhar. Agora digam-me: para ganhar algumas misérias que se ganham, sem perspectivas de subidas de carreira nem sequer de manutenção do emprego, será mesmo necessário perder tantos anos a tirar cursos, onerosíssimos em tempo e dinheiro, muitos deles com professores inúteis e apenas preocupados em arrecadar salários de várias universidades sem lá por os pés? Será mesmo? Eu tenho colegas de escola a trabalhar em fábricas, hipermercados e pedreiras a ganhar tanto ou mais do que a maioria dos licenciados - aproveitaram estes anos para trabalhar, em vez de andarem a aturar professores.
Eu escolhi tirar um curso superior. Se fosse começar hoje, de novo, não sei se o faria, e nem se pode dizer que até hoje tenha tido muitos azares. Formação é preciso, mas experiência profissional, e ordenado ao fim do mês, mais ainda. As pessoas saem de casa mais tarde, casam mais tarde, tem filhos mais tarde, realizam objectivos muito mais tarde, isto se os conseguirem realizar.
Emprego, para os senhores que fazem estas contas, é tudo aquilo que possa ser razão para uma pessoa sair de casa de manhã e voltar ao final da tarde. Ligam o nível de formação à empregabilidade, mas de facto isso não é necessáriamente assim.
Criação do próprio emprego. Um facto. Apoios vários. Mas isso só funciona para negócios inovadores, que tragam mais valia ao mercado. Muita gente começa, sem saber se pode e sabe sequer continuar. As entidades douram a pílula, e o jovem licenciado sem experiência profissional e o mínimo de bases em gestão empresarial abre a sua chafarrica. O apoio prometido em termos monetários lá vai chegando, mas o apoio em termos de consultoria em gestão falha redondamente. É a política do "tomem lá o dinheiro e amanhem-se".
E lá voltamos ao mesmo. Desemprego e desmotivação geral.
E soluções para isto?
quinta-feira, agosto 31
Apontamento # 2
'O histórico do PS Mário Soares admite hoje em entrevista ao "Diário de Notícias" que não queria ser candidato a Presidente da República e que o partido decidiu "tarde", levando-o a entrar atrasado numa corrida em que "os jogos já estavam feitos".' (Público, hoje)"Ai e tal, eu não queria, mas eles obrigaram-me". Bem, este senhor realmente perde praticamente todas as oportunidades para ficar calado. Levou sopa (e que grande caldeirão dela!!!) nas presidenciais, foi derrotado em duas vias, a da direita, e a da própria esquerda, e ainda aparece, tanto tempo depois, a alvitrar sobre o assunto.
Este homem merece o meu respeito por ser o dinossauro político que é. Tem muitos anos de carreira, sabe muito de política, ocupou muitos cargos importantes, and so on. Mas ninguém lhe explica que há uma coisa chamada REFORMA, que serve para descansar, e não só para engordar o saldo bancário??? Já se calava com esta coisa das eleições.
O papel de enfant terrible não lhe assentou, na campanha que fez. Não tem idade para isso, nem tão pouco mais ou menos, e não tem absolutamente nada a ver com o perfil dele. Quanto a mim, uma vergonha q que se teria muito bem poupado, se tivesse juízo. Mas não teve.
A um senhor com o estatuto deste político, ninguém obriga a fazer nada. Entrou na corrida porque quis, e só no fim é que meteu na cabeça (ou não...) que não conseguiu acompanhar o andamento. Ou isso, ou então a senilidade afectou-o definitivamente, deixando-se indrominar pelos senhores do PS... e esta hipótese parece-me tudo menos viável.
Poupem-nos. O assunto das presidenciais está já coberto de bolor e mofo. As derrotas políticas foram o que foram, esclareceram-se, já ninguém tem dúvidas. Mais... é triste ver um senhor destes "cuspir no prato que comeu", e continuar a sacudir a àgua do capote (das duas uma, ou a àgua foi realmente muita, ou de facto o capote é muito absorvente....). Isso está muito na moda, mas efectivamente é triste.
Juízo, Senhor Doutor. Juízo.
Apontamento # 1
"O jornal O Independente sairá amanhã para as bancas pela última vez, depois de falhadas duas tentativas de encontrar um novo investidor. O anúncio foi ontem feito à redacção pela directora, Inês Serra Lopes, também ela accionista do título, com uma quota que ronda os 20 por cento. Contactada pelo PÚBLICO, a directora recusou-se a fazer comentários, apenas confirmando o encerramento." (Público, hoje)O "filho" do MEC e do PP, afilhado da ISL, está moribundo. O funeral será amanhã. Agora, vão ver se a marca vale ainda alguma coisa, e declarar falência. Disse-se (Miguel Falcão) que é pena, que faz falta ao país um semanário de esquerda. Ora, em primeiro lugar, e apesar de sabermos de antemão que a comunicação social se politiza cada vez mais, tenho para mim que isso está errado: "jornal de esquerda", "jornal de direita", "pasquim anti-fascista", "periódico fascizóide", whatever, a informação deve ser uma visão clara dos que escrevem sobre a actualidade, mas não só numa visão estritamente política. Nos jornais que lemos, muitos jornalistas foram substituídos por políticos, comentadores, entendidos não se sabe muito bem em quê, que usam do poder dessa forma de media para achincalhar o próximo, e tentar impôr verdades tão absolutas como a existência do Pai Natal e da rena Rodolfo. Cada um pensa como cada qual, é verdade, mas os jornais servem mais o propósito de propaganda do que qualquer outra coisa. Não todos, e uns mais que outros, claro.
Em segundo lugar, se o jornal fizesse relamente falta ao país, não estava em situação de falência. Temos jornais nas bancas que lideram vendas, há muito tempo, se o Independente não o faz, é porque não interessa. Neste campo, ainda é o leitor que comanda. E o leitor só compra o que gosta de ler, certo? Arrume-se o assunto.
Deixem-se de tretas: deixem de pensar como políticos, deixem de se lamuriar, e comecem a pensar como jornalistas, por um lado, e como empresários, por outro - sejam espertos, formatem outro tipo de publicação, mexam-se. A cabeça serve para alguma coisinha, não? A Inês Serra Lopes, pelo menos, tem perfil para criar coisas muito interessantes, se se puser realmente a trabalhar. Espero para ver.
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