Andamos cá uma maré.... Meus amigos, há que ter tento na língua, que não se pode mesmo dizer nada. Desta vez, é um procurador-geral na berlinda, e cheira-me que deixou de estar nas boas graças do poder - falou demais, desabafou, e agora, tem que se explicar ao povão. Não que ao povão interesse, quem sofre com as escutas nem sequer é o cidadão comum, digo eu - as autoridades querem lá saber do carteirista, do traficante miúdo e do proxeneta - o que interessa é arranjar podres de gente conhecida, para vender ao 24 horas e ao Sol... mas os políticos, especialmente, ficaram todos com os respectivos dérrières (e já se sabe, quem tem dérrière, tem medo...) a arder - pudera, sabe-se lá o que se pode andar aí a escutar...Considerações sobre assuntos de suma relevância, de relativa importância, de duvidosa congruência, e até mesmo sem qualquer tipo de interesse. Mas com muito Hot Fudge.
segunda-feira, outubro 22
Já não se pode dizer nada... II
Andamos cá uma maré.... Meus amigos, há que ter tento na língua, que não se pode mesmo dizer nada. Desta vez, é um procurador-geral na berlinda, e cheira-me que deixou de estar nas boas graças do poder - falou demais, desabafou, e agora, tem que se explicar ao povão. Não que ao povão interesse, quem sofre com as escutas nem sequer é o cidadão comum, digo eu - as autoridades querem lá saber do carteirista, do traficante miúdo e do proxeneta - o que interessa é arranjar podres de gente conhecida, para vender ao 24 horas e ao Sol... mas os políticos, especialmente, ficaram todos com os respectivos dérrières (e já se sabe, quem tem dérrière, tem medo...) a arder - pudera, sabe-se lá o que se pode andar aí a escutar...terça-feira, outubro 2
Já não se pode dizer nada...
"Pela boca morre o peixe" é o ditado que melhor caracteriza este país neste momento. Há pessoas despedidas, incomodadas, admoestadas, criticadas por falar demais: somos um país de tagarelas, está visto. quarta-feira, setembro 26
O desafio - teve que ser
1. Pegar no livro mais próximo.
Achei piada, por isso, toca de meter o bedelho. Cá vai: o Livro é do António Marinho e Pinto, (ilustre advogado cá do burgo, polémico até à quinta casa, e que por acaso beneficia da minha admiração), chama-se "As Faces da Justiça" e, para quem quiser conferir, é um compêndio de críticas acutilantes e muito bem construídas ao nosso sistema judicial. Como a página 161 é dotada de poucas frases, e muito longas, tive que procurar a quinta frase completa já pág 162: "Nunca será totalmente derrotado o Estado ou nação que tratar com humanidade os presos ou prisioneiros de um conflito armado - seja qual for o desfecho final da guerra."
sábado, setembro 22
"Really perfect british crime" , the movie.
É nestas alturas que me envergonho deste país, dos lacaios lambe-botas que não deixam trabalhar quem realmente o sabe fazer, e da subserviência parola face a gente que não tem nada a ver connosco. Vamos ser sempre um país medíocre, enquanto houver esta atitude.Acho que já ninguém duvida que o casal McCann tem culpa no cartório - deixei de acreditar na inocência deles desde o momento em que se percebeu que abandonaram crianças pequenas sozinhas em casa e foram embebedar-se. Depois disto, todas as atitudes deles, a meu ver, tendem a demonstrar a CULPA de quem fez asneira da grossa: enquanto a generalidade dos papalvos que, pelo mundo fora, acreditou piamente naquelas expressões doridas e no bonequito que a mulher nunca largou, estiveram a gozar umas belas férias no Algarve, pensão completa e mordomias, mediatismo quanto baste, para arrecadarem umas valentes maquias na conta da pobre Maddie, por esse mundo fora. Bem, quando a polícia portuguesa mostra o que vale, e os começa a apertar, os tipos voltam a correr para de onde nunca deviam ter saído - o país deles - porque por aqui já não rendia a farsa. Tinha que ser um juiz a por o pé na argola, e deixá-los abalar só com um simples TIR. Novidades?
Bem, depois de terem escolhido a dedo o advogado cá, um sedento de aparecer na ribalta, vão para Inglaterra contratar dois tubarões. Agora isto. Contrataram também o Bastonário da Ordem dos Advogados Portugueses. E ele aceitou, que é pior. Que ele exerça advocacia enquanto bastonário, já é discutível. Agora, que opte por mandar a isenção às urtigas, e aceite meter-se num caso controverso como este, não me parece, a mim, atitude de um bastonário que se preze.
Mas afinal, quem paga isto tudo? Os McCann dizem que não vão usar os dinheiros do Fundo (angariado para ajudar a Maddie - neste caso, eles, como arguidos, nunca poderiam sequer ter acesso ao Fundo). Então, caramba, pudera eu ser médica na Inglaterra, os tipos ganham milhões, pois podem estar 4 meses a trabalhar, e ainda chega o dinheiro para contratar advogados de topo. Duvidoso, mesmo muito duvidoso.
Mas também vos digo: se foram buscar o Rogério Alves para que se exerça pressão sobre a polícia e os juízes, esqueçam lá isso, que a Ordem, em termos de instituição, está para o sistema como as pulgas para os cães - os juízes, nem lhes ligam - usam coleiras das boas - e a polícia, coça, atura-os, mas depois sacode um bocado e livra-se deles. Enquanto advogado... não sei, antes de ser bastonário, eu nunca tinha ouvido falar dele. Quem deve estar a roer-se de inveja foi o Júdice, que, depois de no Prós e Contras não ter tido vergonha de dizer o que disse em defesa dos McCann, devia estar à espera de ganhar ele o caso. Ferrou-se, e não deve estar nada contente. Bem feita.
Concluo com a explicação do meu guião para o filme, daqui a uns tempos (eu brinco com isto, mas ainda há-de ser verdade e os McCann ainda vão ganhar mais dinheiro com os direitos): o casal liquida a filha, move uma acção de sensibilização napoleónica, abre imediatamente um Fundo para angariação de dinheiro em todo o mundo, dinheiro esse que decerto utiliza para pagar a defesa luxuosa contra as acusações de terem provocado a morte da criança. Resultado, acabam por dar a volta ao sistema judicial da treta que é o português, ilibam-se com precisosimos formalistas (andam a estudar jurisprudência americana de um caso em que o juiz ilibou provas do género das deste caso...), e ainda se ficam a rir dos parolos que os apoiaram cegamente.
Tenho pena da Maddie e dos seus irmãos. Pobres crianças. A confirmarem-se estas suspeitas que exponho, não mereciam ter estes pais. Mereciam muito melhor.