quinta-feira, novembro 8

Já não se pode dizer nada... III

E desta vez é com o Tribunal de Contas, que deixou escapar ao "Sol" informação sobre o resultado, ainda não publicado, de uma auditoria às contas das Estradas de Portugal, que pelo visto são mais um monstrinho sugador de dinheiros públicos para benefícios mais privados que públicos.... e ainda dizem que dão prejuízo!!
Já para não falar nos funcionários de instituições obrigadas a segredo profissional, que se vendem aos jornalistas como rameiras de beira de estrada...
Eu já não sei o que é pior - saber ou não saber, eis a questão.

quarta-feira, novembro 7

Como se engorda o porco deles

Eu pago a minha casa, tu também pagas, eles pagam o carro, nós pagamos o computador, vós pagais a mobília da sala, eles pagam ainda a máquina de lavar roupa. É assim que se conjugam verbos como o "Crédito à habitação", "Leasing" e "Crédito pessoal", entre outros. A classe média, média-baixa, e até mesmo média-alta, vivem este terror diário de contar tostões para conseguir pagar todos os malfadados empréstimos que se vão contraindo para fazer face à desgraceira que é o custo de vida que temos. Oferecem-nos dinheiro pelos olhos dentro, os bancos. É tudo tão fácil, como assinar o nosso nome num papel. E assinamos, depois, todos os meses nos vamos apercebendo de mais alguma coisita que não nos explicaram, ou não quisemos ouvir, e que é menos boa para nós. E a prestação cai. As prestações todas, para quem recorre muito, por vício ou por necessidade, ao crédito.
Duas classes ficam de fora - a classe alta, que não tem qualquer problema, pois, recorrendo muito ao crédito como é seu hábito, se não pagar, ninguém chateia, e ainda oferecem mais créditos aprovados (veja-se o caso do filho do Jardim Gonçalves... ele sim, tem pais ricos, não precisou do BES, resolveu o problema no BCP). A Classe baixa, essa, divide-se em duas: a que vive de expedientes e do rendimento mínimo, à custa do que todos nós andamos a pagar, recusando-se a trabalhar, porque é sempre melhor ter tempo para gastar o dinheiro do subsídio, e a que trabalha precariamente, ganha e vive mal, a quem os bancos recusam sequer que se sentem nas cadeiras do atendimento para créditos... Esses não tem empréstimos para pagar Terão outros problemas. Mas o que é vergonhoso é esta promiscuidade dos bancos em facilitar tudo para se ir buscar um cliente para crédito, para depois o esfolar vivo durante uma data de anos, sugando-o até ao tutano, muitas vezes deixando-o na miséria. O cliente incauto cai nisto, mas o mais experiente acaba por cair também. O consumismo, a fraca qualidade e pouca durabilidade dos bens que se compram, mesmo dos mais caros, as exigências sociais, etc, etc, etc, obrigam a recorrer ao crédito para fazer face à despesa que não se consegue pagar a pronto... Custa tão pouco como só o dobro daquilo que se pede. E para quê? Para isto. Lucros astronómicos para os Bancos. É o nosso dinheiro, meus caros, que vai engordando os porquinhos deles, e esmifrando os nossos.

segunda-feira, outubro 22

Já não se pode dizer nada... II

Andamos cá uma maré.... Meus amigos, há que ter tento na língua, que não se pode mesmo dizer nada. Desta vez, é um procurador-geral na berlinda, e cheira-me que deixou de estar nas boas graças do poder - falou demais, desabafou, e agora, tem que se explicar ao povão. Não que ao povão interesse, quem sofre com as escutas nem sequer é o cidadão comum, digo eu - as autoridades querem lá saber do carteirista, do traficante miúdo e do proxeneta - o que interessa é arranjar podres de gente conhecida, para vender ao 24 horas e ao Sol... mas os políticos, especialmente, ficaram todos com os respectivos dérrières (e já se sabe, quem tem dérrière, tem medo...) a arder - pudera, sabe-se lá o que se pode andar aí a escutar...
O senhor falou e agora, aguente-se. Das duas uma (que ainda não percebi muito bem qual): ou o Homem acha perfeitamente normal que se escute o pessoal à brava, à imagem dos tempos pidescos (não que eu ache isso absolutamente mal, desde que apenas no decurso de investigação de suspeitos de crimes, e que os que se escutou fique em segredo de justiça, como deve, e seja apenas usado para fins de investigação criminal), ou então aquilo foi um desabafo de quem já está farto de não conseguir controlar as coisas... e aí, é mau...
Isto costumava ser um país de expressão livre... mas todo o jardim idílico tem a sua cercazita, não é?

terça-feira, outubro 2

Já não se pode dizer nada...

"Pela boca morre o peixe" é o ditado que melhor caracteriza este país neste momento. Há pessoas despedidas, incomodadas, admoestadas, criticadas por falar demais: somos um país de tagarelas, está visto.

Mais uma vez, o caso "Maddie". Li no Público a notícia de hoje sobre o terrível thriller que se está a tornar este caso. Terrível, pelo crime que provavelmente foi cometido, mais terrível ainda pela maneira como, provavelmente, anda a ser encoberto...


O Coordenador da PJ de Portimão, Gonçalo Amaral, foi demitido desse cargo, por ter dito ao DN que a polícia inglesa só anda a investigar as pistas que mais convinham ao casal McCann, dicas e informações por estes fornecidas e trabalhadas.


Duas notas, apenas: se o homem disse isto, sabendo de certeza as consequências que daí adviriam, é porque a mostarda lhe chegou ao nariz, e transbordou - e aí, há que ver o fundo da questão: se é verdade, e até acredito que seja, qual seria o interesse do homem em ser despedido por mentir?! A ser assim, mais uma vez se pode antever o futuro deste caso - o arquivamento.


A outra nota: OK. Concordo que, na posição do homem, talvez ele tenha falado demais, talvez a Direcção Nacional da PJ entenda que esta atitude atiça o sentimento de revolta contra os McCann que já por aí paira, e que isto fere o segredo de justiça (qual segredo????). O Ministro da Justiça referiu a clara colaboração entre as autoridades portuguesas e inglesas (pois, pois...), e à não relevância destas declarações do Coordenador. Bem, tanto não relevou, que o demitiram. Foi talvez para dar o exemplo. E que tal decapitarem-no em praça pública por ter dito mal dos nossos irmãos ingleses?? Também dava o exemplo... Realmente....
Seja como for, o homem exprimiu o que lhe moía a paciência, e isso é que me preocupa (não a paciência dele, mas a verdade das declarações).
Cegos, surdos e mudos, temos nós que ser hoje em dia...