domingo, janeiro 10

Teve que ser...

Eu juro que não me ia pronunciar sobre o assunto, para não ferir susceptibilidades. Mas whatever, o Blog é meu, e eu digo o que eu quiser, quem não gostar não lê. Para alguma coisa serviu o 25 de Abril.
O Cavaco disse uma coisa acertadíssima: O Poder tem um bocadito mais em que pensar do que no casamento de pessoas do mesmo sexo, o Sócrates voltou à técnica do "vamos disfarçar a nossa incompetência com a subserviência a um assunto polémico".
Então, por esta lógica, o povão, enquanto discute uma novela destas... fica cego e esquece-se que é pobre e desempregado!

Não sou contra as uniões de homossexuais, cada um tem as opções sexuais que bem entende, desde que não constitua crime. Eu respeito isso.
Agora, sinceramente, não entendo esta vitimização dos homossexuais a reivindicar o casamento. Que diabo, eu ainda gostaria de saber se, quando isto for aprovado, vai haver uma subida do numero de casamentos. Haverá uma infima subida... para logo depois haver a subida do nível dos divórcios... Bem, para os advogados, é bom negócio.
Parece-me que se vai gastar mais uma série de fundos públicos num referendo para acabar por
alterar a lei para dar uma faculdade que poucos vão usar. Isto é o quê? Para que um casal homossexual possa dizer "Nós não queremos casar... mas se quisermos, podemos!!!"
Se a maior parte das pessoas já nem casa, sequer, esta coisa de querer que as pessoas do mesmo sexo possam registar-se como casados tem mais de vontade de querer mudar a mentalidade à força do que de atribuição de direitos. Isto é para quê? Por causa dos bens? Há uma coisa que se chama compropriedade. Por causa das heranças? Façam testamentos válidos. Por causa da Adopção? - esse será outro grande assunto a discutir. Por uma questão psicológica? Talvez... Mas para muitos, não é preciso casar para provar que se gosta da outra pessoa... esse problema também é dos heterossexuais -
deal with it.
Bem, e na minha opinião pessoal, a nossa sociedade ainda não está preparada para isto. A maior parte dos pais não está preparado para ouvir decisões destas da parte de um filho ou filha, os filhos ou filhas também não estão preparados - nem o ambiente em que vivem - para ter um padrasto ou madrasta do mesmo sexo do pai ou da mãe... Não é à força que se mudam valores sociais intrincados como o da Família tradicional. Digo eu...
Um casal homossexual também é uma família, não discuto. Mas acredito que os problemas sociais que vai trazer uma alteração destas... vão ser enormes.

Por mim, até podiam acabar com o casamento civil. Era menos um contrato, e depois já quase ninguém usa disso. Pelo menos por muito tempo. Quem quisesse casar e fazer uma festa, casava na sua religião, e se não tivesse religião, casava da maneira que lhe apetecesse. Até podia haver empresas a produzir eventos desses.
Mesmo havendo referendo: não acredito que se chumbe a proposta. Mas de certeza que se chumbar, daqui a uns anos voltam à carga, e here we go again. Tal como foi com o Aborto.
E depois... eu gostava de ver o governo agora menos preocupado com isto e mais com as soluções para a crise. Sinceramente. Irrita-me profundamente esta maquilhagem política, e o facto de os interessados e os governantes se aproveitarem deste assunto para fugir com o rabo à seringa.

Depois da crise... pouco me importa. Se quiserem aprovar a alteração... por mim nem precisam de referendo. Aprovem já isso e não chateiem. Não penso usar dessa prerrogativa, mas isso é uma opção minha.
Desculpem-me se feri susceptibilidades. Não é essa a minha intenção. Mas tenho direito à minha opinião, ou não tenho?

quarta-feira, dezembro 23

Amália? Hoje?

Agora vou ser mázinha. Deveras mázinha. Sem dó nem piedade.
Só num pais de tacanhos costumes, como o nosso, é que se ouvem e lêem coisas parvas como as críticas que tenho lido acerca deste álbum.
O album Amália Hoje é uma lufada de ar fresco na música portuguesa, e por acaso foi um sucesso este ano.
E é bom porquê? Porque é uma interpretação fresquíssima de fados da Amália, porque é de um grupo de músicos experientes e oriundos de bases diferentes do panorama musical (The Gift, Moonspell, Turbo Junkie...), e porque não quer tirar mérito nenhum ao que está feito: apenas vestiram o fado com uma roupagem pop electrónica, muito actual, muito in, e levaram-na a níveis onde o fado provavelmente nunca entraria.
Num quintal como este nosso Portugal, em que não se pode mexer nos três F (Fado, Futebol e Fátima), bastou mexer na Amália, que descansa no Panteão, para aparecer uma turma de tamancos a bater no peito e a dizer que é uma afronta, e que é horrivel, e parvoíces do género...
Uma afronta porquê? Os direitos de autor estao pagos e bem pagos, a família da Amália está a ganhar dinheiro com isto; muita gente nunca tinha olhado para os fados da Amália com olhos de ver , e depois de ouvir isto, percebeu a beleza dos poemas e foi pesquisar o original. Tornou aquele tipo de música, que é mais ou menos estanque, numa coisa costomizável, adaptável, acessível e - é verdade - comercial. E ouve-se nos bares, nas discotecas, as miúdas sonham e deliram a ouvir isto, ouve-se nos restaurantes selectos, e é o genérico de uma novela (e, por incrível que pareça, não fica Kitsch!...).
Não se quer imitar ninguém. Se isto é imitar, prendam já Cátias Guerreiros, Camanés, e outros fadistas-mirins que rodopiam à volta das memórias da Amália, a tentar ser como ela. Amália Hoje é mais actual, é mais abrangente - é mais diferente, e é por isso que é bom.
Os artistas ganham dinheiro com isto. Pois Ganham. E depois? A Amália também ganhou, e mesmo depois de morta continua a facturar... E todos os outros como ela.
A memória das pessoas e a memória cultural... é tudo muito lindo, mas vamos lá a deixar a tacanhez de lado e começar a olhar para as coisas como sujeitas a evolução... Cultura, evolução, progresso.
Faz muita falta abrir horizontes, a este povão. Ai faz, faz.

segunda-feira, dezembro 21

Avatar. James Cameron

Eu nem tinha muito interesse em ir ver. "Bonecada, mais um filme da treta pseudo sci-fi...", pensei. Mas com a devida insistência de quem de direito, fui, até porque para sair das mãos do Cameron, não podia ser mau.
Fui e abençoada hora. Apesar de ter que enfrentar um Fórum cheio de "caçoilos" sequiosos de gastar dinheiro em prendas foleiras e baratinhas, atafulhando-se pelos corredodes, embasbacados com as luzes de Natal tal como as melgas, VALEU A PENA.
E valeu a pena porque, sem qualquer sombra de dúvida, é o melhor filme que já vi. Posso dizê-lo sem pestanejar e sem sequer pensar muito.
Excelentes gráficos. Excelente script. Excelente banda sonora. A Sigourney Weaver. Consciência ecológica. Os Humanos como os mauzões da fita, a espécie que mata tudo o que toca.
Ficamos agarrados à tela em cada segundo do filme, o que prova que o guião é excelente. Torcemos todos para que os humanos sejam derrotados, e para que o herói se torne extra-terrestre.
E os personagens virtuais... mais expressivos que muitos actores de carne e osso, fazem-nos rir e chorar, queremos que ganhem, queremos estar ao lado deles. A interacção dos personagens virtuais com os actores é prodigiosa - não se nota qualquer diferença, são absolutamente perfeitos.
O apelo da natureza - desta vez, os extra-terrestres são seres superiores pelo respeito pela natureza e pela riqueza cultural e memória dos antepassados, as máquinas assassinas e destruidoras são os humanos invasores. Os aliens somos nós, à solta num planeta que queremos sugar sem dar nada em troca: a destruição da natureza pelo dinheiro - desta vez, os humanos saltaram para outro planeta, uma vez que haviam já destruído o nosso... Em muitas alturas do filme, os mais sensíveis para estas questões fazem logo a analogia da história com o que se passa na Amazónia: exploração, indígenas, destruição, dinheiro... isso tudo.
Um filme para ver outra vez. Sem dúvida. São 3 horas de puro deleite para os sentidos.

Uma nota absolutamente negativa para a Zon Lusomundo e para a Vodafone: que raio de coisa é aquela do Vodafone sound experience, em que nos mandam fechar os olhos ( eu não fechei e agarrei logo a carteira!!...), e ficar a ouvir uma salganhada de barulhos de avião, agua e mais não sei quê? Era suposto aquilo imitar o quê - um avião a despenhar-se? Que piadinha de mau gosto... Seja o que for, falhou redondamente, foi absolutamente ridiculo e vejam se acabam com isso que pagar bilhete para ouvir barulho não tem jeito nenhum. Não fosse a magnanimidade do filme, tinha pedido o livro de reclamações.

domingo, dezembro 20

Este é o meu Natal ideal

Assim sim. Cá está o meu conceito de Natal: a Ilha Natal: parte do território Australiano, com cerca de 135 km², tem como capital Flying Fish Cove, conhecida como The Settlement. Tem cerca de 1 402 habitantes.
Todos os natais venho para aqui dizer mal do Natal, Deus que me perdoe. Mas Deus perdoará, decerto, pois sabe bem que eu odeio o Natal não pelo que significa, mas pelo que fizeram dele. Whatever.
Desta vez vim dizer bem do Natal - nomeadamente desta Ilha. Dada a minha preferência por tempo quentinho - detesto chuva, odeio neve, nunca me apanhariam na Serra da Estrela no inverno, cruzes canhoto!... - ora aí está uma rica paragem para bebericar umas coisinhas tropicais com os pezinhos na aguinha azul. Nem pinheiros, nem bolas, nem sinos, muito menos Pai Natal. Só mergulhos e banhos de sol...
Garanto-vos que há-de ser um dia destes.

Mas, mesmo assim, cá vai um contrafeito chavão natalício: Boas Festas e cuidado com o Bolo Rei.